sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Quem me dera ...


O poema que se segue foi escrito por mim em 1970. Era a época das viagens à Lua com tripulação humana, mas também das guerras do Vietname e, para nós Portugueses, da guerra colonial em África. Tinha eu nessa época os meus 14 anos e sonhava ... sonhava ... sonhava ... que um dia as guerras acabariam de uma vez por todas. Mas também já pensava que daí a poucos anos tinha o serviço militar à minha espera ... ou seja uma guerra da qual não sabia se voltaria. Talvez por isso, para me libertar desse pensamento negativo escrevi este poema que encontrei por acaso faz algum tempo enquanto arrumava papeis pessoais antigos.

Quem me dera poder voar,
cruzar os céus e os mares,
passar por cima de tudo,
dizer "adeus" à terra e às casas,
ir visitar o Sol,
contemplar a Natureza,
atravessar fronteiras,
poder visitar o mundo,
assistir aos combates,
às lutas, à guerra,
aos desastres e às mortes
e de noite, sob a luz
que a Lua reflecte
ir de encontro às estrelas,
sempre... sempre a voar,
a voar sempre mais alto,
mais alto, ainda mais alto,
perder-me na imensa escuridão,
ir visitar o Altíssimo
que lá das alturas
velava pela minha vida
para que em mim não penetrasse
a bala inimiga e fatal...
do caçador.

Quem me dera ser uma ave,
uma ave pequena e rápida,
ter asas, poder voar!

1 comentário:

Pryncesazul disse...

K pases un excelente fin de semana
cuidate mucho
bye